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terça-feira, 27 de setembro de 2011



Se dormir é morrer,
não adormecer mata.
Após duas
noites brancas, escrevo com a mesma agilidade de um caracol que caiu num copo de sangria.







Luís Filipe Borges, in Revista Tabu




segunda-feira, 2 de maio de 2011

marisas há muitas, seu palerma...

Os olhos dela brilham. São inchados e sempre pintados friamente. Os anos estão-lhe bem marcados na cara. As rugas vincadas contornam-lhe a face em coadjuvância com o negrume capilar que lhe cobre a cabeça. Lisos, escorridos, encaracolados, ondulados... no chão... há de tudo. As suas mãos impressionam-me. 'Arterosiadas'. Nós enormes e palmas encarquilhadas, semelhantes a colheres de sopa que se tentam esticar mas os ossos não deixam, e as peles que as compõem são flácidas e brilhantes, cheias de fendas entre este e aquele pedaço liso, dignas de uns largos anos de experiência. Cruza-as muitas vezes de uma maneira esquisita, atrás das costas. A voz, também rugosa, que possui assemelha-se a uma tuba. Está gasta de tanto paleio.
Mas... não passa de mais uma marisa, como outras...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Factor Possibilidade/Probabilidade



Todos os dias assisto a rostos falhados. Pessoas que passam por mim e que me mostram os seus projectos de vida completamente destronados!

A mais actual cara que por mim passou mostrou-me que nem tudo, na vida, é como nós queremos. Professora. Inaugurou um "Equações e Pontuações" ali a meio da rua. O espaço era frio. Muito frio. Apenas um balcão e uma lâmpada pendurada no tecto, faziam mobília naquela "montra", mas, também, não se tratava de uma loja de decoração. Cada vez que lá passava questionava-me se o "negócio" iria dar resultado, sabendo perfeitamente que não. A senhora, sentada ao balcão, transmitia tristeza entre aqueles caracóis e as bochechas almofadadas.Hoje acompanhei-a com o olhar durante alguns metros e vinha completamente destroçada. A minha cara encheu-se de amargura. O dito "negócio", já fechado há mais de uma semana, pode dizer-se que lhe estragou a vida. Os passos eram suaves e vagarosos, como que cada poisar do pé no chão, era uma tentativa de ganhar força para o próximo passo e assim atingir um destino qualquer.
A incerteza do futuro faz-nos ter dúvidas. Faz-nos pensar se seguir este ou aquele caminho será boa opção. E mesmo que seja, correrá bem? Sairei vencido ou vencedor deste destino? Que ninguém se atreva a vir dizer-me que aquela mulher tinha como projecto de vida um centro de explicações fechado e o subsídio de desemprego ao final do mês.



terça-feira, 29 de março de 2011

3ª feira de 'chuva' (2)

Para quem não viu esta magnífica entrevista. Foi feita em Dezembro, e no fim-de-semana passado foi re-passada como forma de homenagear Artur.



quarta-feira, 23 de março de 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011



Hoje os meus olhos olham em frente... Nem para cima, nem para baixo: em frente!


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Curvatura necessária, hoje!



O estado de alma é algo muito instável. Em apenas um segundo podemos alterar o nosso estado de espírito de uma maneira desastrosa. A vivência com o Homem é um dos factores que o faz mudar. Com ou sem amor, com ou sem ódio, a sua interacção faz-nos alterar a olhos vivos aquilo que sentimos por cada um que nos rodeia. Não é necessário nenhum gesto ou palavra... Basta um olhar, um sorriso ou "um desprezo vivo como uma chama" para a alegria ou a tristeza nos invadir. Assim sem ser preciso alguma atitude menos feliz ou uma bastante agradável, somos alterados, interior e exteriormente, por quem nos faz sofrer, cá dentro, pelo bem ou pelo mal.


Com os olhos curvados para baixo, mais uma vez...



domingo, 27 de fevereiro de 2011

27 - 02 - 2011

Quando um artista nasce, nasce para sempre! Nasce para sempre o ser. Há 18 anos nasceu alguém que se tem vindo a mostrar artista de si mesmo e da arte mais"dialogadora" para com o Homem. A solo, na multidão, em trio... De todas as formas se destaca.

Hoje venho congratular-te, abraçar-te e desejar-te um feliz dia!

Parabéns Lucas!!


Um abraço, apertado!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Estranhamente solitária...

Cruzo a perna esquerda sobre a direita. Olho pela quarta janela para não sei onde, para não sei o quê. Ingiro uma garrafa de água mineral Luso. Estou sozinha. Chateada com tudo e todos. Olho-os com raiva e nojo, com desprezo e vontade de os bofetear. Não me aguento muito tempo aqui com esta gentinha. Ingiro mais um pouco da minha água mineral Luso com um movimento limpo, rápido e preciso. Cada um que entra ou passa, desvia-me a atenção do que é realmente importante. E eu não gosto! Não sorrio para eles, não lhes falo sequer. Ai de mim. A minha água mineral Luso está quase no fim e continuo a olhar... não a ver. Levanto-me de chofre, dispo o meu sobretudo e corro para a casa de banho. Ao sair, olho-os todos. Um por um. Coitados - penso eu, com sarcasmo. Volto para o meu lugar, visto o sobretudo e bebo a água mineral Luso como se não houvesse mais alguma água mineral Luso no Mundo. Vou pagar. Estou farta de aqui estar. Chateada, arrumo as coisas... Volto-me a sentar. Lá fora a chuva intimida-me... A chuva molha o chão molha as paredes e todos os telhados. Forma poças e algumas correntes, rejuvenesce as plantas e lava as terras. Por outro lado, entristece aquele que passeia e aquele que bebe café na rua; aquele que sai de casa para lado algum. Só. Por ela, o ser humano foge da rua, passa-lhe sem a perceber, sem sequer observar, realmente, a beleza desta chuva. Olhamo-la com desdém e tentamos esquivar-nos dela. Protegêmo-nos dela como se fosse uma doença transmissível ao toque. Se alguém olha para mim questiono-o mentalmente Que foi, nunca viste? Pára de me olhar! O meu olhar é fixo. Fixo um ponto e olho-o durante algum tempo, sem, milimetricamente, desviar o olhar. Dou o último golo da água mineral Luso e atiro o copo de encontro a mesa até quase este partir. Pego na cadeira e desloco-a dois centímetros e meio para a frente. Volto a sentar-me. Troco o cruzamento das pernas. Levanto-me com a carteira e vou até ao balcão. Poiso-a bruscamente. Volto a pagar. Desloco-me para a minha cadeira, sempre a mesma, sempre no mesmo sítio. O café está vazio. Desvio o meu olhar para o seu interior e fixo-o. Até quando?



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Melancolia, hoje...


Há gestos que demonstram a vontade do ser humano... Simples olhares, tocares envergonhados, raspões suaves, respirações fortes junto ao pescoço, ouvido, cara, ombro, ... todo um leque de provocações que não têm de ser auxiliadas de palavras para fazerem sentido ou comunicarem algo... A palavra é um instrumento muito poderoso, talvez o mais poderoso de todos, por conseguir fazer estragos tão distantes como daqui à Lua, ou daqui ao fundo da rua, mas nem sempre devemos ou conseguimos usar este instrumento, por tão poderoso ser... Para nos expressarmos usamos, muitas vezes, estes gestos de carinho. Hoje tentei usá-los...