As casas vão ficando para trás, nesta viagem de regresso. O sol já vai mais para lá que para cá e cá dentro estamos sujos. E porcos. Poeirentos. Cansados. Mas felizes por poder, finalmente, ter o orgulho de carregar num autoclismo, como disse um dos nossos, e observar tudo a desaparecer, de poder tomar um banhinho, quente, sem mirones à volta, poder dormir uma noite, descansados, sem aranhas nem formigas nem ramos e galhos por baixo das nossas costas. Podemos finalmente comer coisas frescas, sem ter de recorrer às deliciosas ementas de pão com salsicha, atum, ou cogumelos, ou atum, ou salsicha, ou cogumelos, ou atum e cogumelos, ou cogumelos e salsicha, ou pão com pão, ou simplesmente bolachas da alegria. A felicidade de poder beber um gole de água fresca, sem ter de esperar por 45 senhoras e 37 homens que estão á nossa frente para lavar loiça suficiente para um banquete real. Podemos finalmente abrir os olhos e não sentir que todo o PÓ à nossa volta está a entrar-nos pelos olhos. Ficam, para trás, experiências e aprendizagens. Nestes dias, a nossa capacidade de decisão, de responsabilidade e coesão foram postas à prova. E não deixa de ser louvável a facilidade com que as superámos. Foram momentos marcantes, em família!
Boas Vindas! Sofro desta doença: osmose cerebral. trata-se de uma doença do foro psicológico, que consiste na deformação dos neurónios á medida que a sabedoria vai aumentando... para uns nascerem, é necessário que outros morram! Por isso peço-vos que colaborem, deixando, neste blog, alguns neurónios, pois, sendo estes artificiais, são mais fortes que os propriamente ditos, e, inclusive, estes não morrem! AJUDEM ESTA CAUSA!! O Valentim agradece!
domingo, 17 de julho de 2011
Home Sweet Home...
As casas vão ficando para trás, nesta viagem de regresso. O sol já vai mais para lá que para cá e cá dentro estamos sujos. E porcos. Poeirentos. Cansados. Mas felizes por poder, finalmente, ter o orgulho de carregar num autoclismo, como disse um dos nossos, e observar tudo a desaparecer, de poder tomar um banhinho, quente, sem mirones à volta, poder dormir uma noite, descansados, sem aranhas nem formigas nem ramos e galhos por baixo das nossas costas. Podemos finalmente comer coisas frescas, sem ter de recorrer às deliciosas ementas de pão com salsicha, atum, ou cogumelos, ou atum, ou salsicha, ou cogumelos, ou atum e cogumelos, ou cogumelos e salsicha, ou pão com pão, ou simplesmente bolachas da alegria. A felicidade de poder beber um gole de água fresca, sem ter de esperar por 45 senhoras e 37 homens que estão á nossa frente para lavar loiça suficiente para um banquete real. Podemos finalmente abrir os olhos e não sentir que todo o PÓ à nossa volta está a entrar-nos pelos olhos. Ficam, para trás, experiências e aprendizagens. Nestes dias, a nossa capacidade de decisão, de responsabilidade e coesão foram postas à prova. E não deixa de ser louvável a facilidade com que as superámos. Foram momentos marcantes, em família!
terça-feira, 31 de maio de 2011
Fraquejar.
quando entrei os meus olhos percorreram toda a gente que estava lá no meio. comecei a entrar no sítio e a aperceber-me que havia ainda mais gente. subi escadas e calquei panos e almofadas e, ainda antes de sentar o rabo, cumprimentei e olhei bem nos olhos e pisquei-os, em simultâneo, como sinal de força, e então sentei-me. observei melhor o meio. deu-me vontade de rir, mas não o fiz. estava feliz e contente. depois de estarmos como a noite é, mas cobertos, com telhado, ouvi vozes e passos. vozes e passos alternados sequencialmente. e observei muitas coisas. os meus olhos pingaram, à medida que ouvia o diálogo, a essência de todo aquele paleio. a força como o era dito era tão intensa e estrondosa que me fez fraquejar. se estivesse de pé, as minhas pernas teriam tremido. sorria ao mesmo tempo e apercebia-me do que sabia e conhecia do diálogo. mas estava tudo tão diferente do que eu tinha imaginado. estava tudo tão... bonito! que fascínio.
domingo, 1 de maio de 2011
A arte de ser feliz
Houve um tempo em que a minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam dos seus dedos
magros e o meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crianças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como que reflectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu
sinto-me completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meireles
domingo, 17 de abril de 2011
Տոն, عطلة,Tatil, Hari cuti, ...
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A íris da palavra
Quando senti o espaço só meu, aproveitei-o da melhor maneira que me lembrei. As suas paredes, o seu chão irregular. A minha voz riu-se logo a seguir a um berro de agonia extrema. Questionei, sem nexo, os demais. Eles repudiaram-me. Eu gostei! Depois veio o riso. Veio a memória por factos que cada um enquadrava na sua experiência de vida. Nas suas memórias. Vi olhos a brilhar. Uns de saudade, outros de mágoa. Também assisti a vários remorsos. Soube bem. Soube mesmo muito bem. Senti-me cumpridor do dever que me foi posto! FUI FELIZ!
domingo, 27 de fevereiro de 2011
27 - 02 - 2011
Hoje venho congratular-te, abraçar-te e desejar-te um feliz dia!
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
E tudo o vento levou...
Paredes gélidas, gastas e já com alguns buracos. O chão com marcas de muitos anos de sabedoria, estudo, vivências e experiência. Os degraus das majestosas escadarias gastos, só na ponta, sinal de perseverança e da luta pelo ensino, por um futuro. Corredores largos e altos cheios de conversas passageiras, e de comentários que perpetuam nos seus ouvidos. Janelas velhas, podres, esburacadas e vidros frágeis estalados e re-mal-colados. Salas... O chão de madeira velha, já macia, sem arestas nem farpas, barulhenta e a chiar. Dois degraus - era esta a distância entre nós e aquele que nos formava. Cadeiras riscadas? Não! Cadeiras com memórias... Cadeiras cheias de história, cheias de " quero-me ir embora daqui!" e de "Amo-te, és a miúda da minha vida!!!!". Mensagens de há muito, algumas delas já com décadas... Debaixo das mesas, os infalíveis "apêndices elásticos". Vermelhos, Verdes, Azuis, mal mastigados, triturados,... de tudo um pouco. Os quadros de placas de ardósia áspera; Mesmo muito áspera, como os paralelos da avenida, e o giz, que em contacto com o negrum do quadro, produzia um som único... As casas de banhos, quer dizer, a casa de banho masculina e as duas casas de banho femininas, sempre com uma luz natural, sempre sem luz artificial, com portas de vidro na entrada e portas feias no interior. Um jardim interior com a sua beleza natural, com os seus locais tipicamente ocupados, ora por grupos nas tardes de verão a apanhar sol, ora por duetos tentando matar saudades do dia anterior. Um jardim exterior. Um quarteirão inteiro de jardim. Espécies raras, alcatrão solto e esburacado, uma árvore centenária, um "campo" sem limites, um poli-desportivo á chuva e ao sol, ao calor e ao frio. Seis metros quadrados de areia cheia de ervas a florescerem. Outro campo sem limites. Duas salas oficinais de canto, que delimitavam, na parte frontal, o quarteirão por nós ocupado. Bancos de Madeira. Bancos velhos de madeira com musgo, de ferro enferrujado e parafusos soltos. Bancos sujos, bancos molhados, bancos secos, bancos pretos...
Não eram bancos! Eram propósitos. Eram rotinas e desejos. Eram momentos passados a três, a, simplesmente, observar o que nos rodeava, a falar sobre o acaso, a relaxar depois desta e antes daquela aula. Momentos em que a união fez a força. Momentos para recordar com alegria e emoção! Momentos que nunca esquecerei. Foram mesmo inesquecíveis e difíceis de descrever. Espero que também achem o mesmo...
Foram os bancos que nos juntaram?
Foram eles que nos uniram e que nos agarraram?
Não. Mas ajudaram muito!
E agora? Disto tudo, o que restou... ?
As paredes?
Não.
Os degraus gastos?
Não.
As Cadeiras com memórias?
Não.
As mesas com os apêndices elásticos?
Não.
...
Os Bancos...?
NÃO.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
O poder da Palavra!
Vivemos de Palavras
Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe. Vivemos de palavras. Vamos até à cova com palavras. Submetem-nos, subjugam-nos. Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas. São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem. Mas há momentos em que cada um redobra de proporções, há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade. Há momentos em que cada um grita: - Eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! - Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?
Uma grande parte da infelicidade no mundo tem sido causada por confusão e fracasso de se dizer a palavra certa no momento certo. Uma palavra que não é proferida no momento certo é prejudicial, e tem sido sempre assim. Porque é que uma classe da população deveria ter medo de ser honesta com outra? De que é que têm medo?Tenho de aprender a enfrentar as pessoas, a resolver os meus problemas, a falar. Esta sociedade, sim porque não sou o único, infelizmente, a ser assim, tem um grande problema que é este mesmo: a incapacidade de diálogo, a má interpretação das outras pessoas, a má expressão... Enquanto este problema não for resolvido, haverá sempre conflitos...
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
"O melhor concerto do ano!"

No Pavilhão Rosa Mota.
No Porto.
SUPERTRAMP.
Bastou isto para que a noite se tivesse tornado mágica. Temas de 40 anos de carreira, dos lendários Supertramp, deliciaram todos os amantes da banda britânica. Mesmo sem Roger Hodgson, a festa foi feita e todos os hits foram tocados, incluindo Breakfast In America, The Logical Song, Dreamer, Goodbye Stranger, Give a little Bit, Bloody Well Right, School, Rudy, From Now On, entre muitas outras que compuseram um espectáculo que durou mais de 2 horas.
A tournée "70-10", iniciada no dia 2 de Setembro, marca os 40 anos da edição do primeiro álbum da banda e a banda irá dar ao todo 35 concertos por toda a Europa.
Foi um grande espectáculo onde tudo esteve ao rubro...
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Que raio de coisas é que somos?
"Multiplicamos os nossos bens, mas reduzimos os nossos valores. Falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos á nossa vida e não vida aos nossos anos."
terça-feira, 6 de julho de 2010
Marcas para a vida...
Ganhei calos nas mãos, as dores de costas atacaram-me, o joelho rangeu, os pés feriram-se, o sol queimou-me a cabeça, a água desidratou-me a pele,...
Parte de mim dizia para eu experimentar, outra parte dizia para eu me agarrar aos estudos e deixar isso para depois, mas... decidi seguir a parte que me dava força para avançar e ir experimentar. Ainda bem que assim foi. Desta vez tive a noção que, por muitas que sejam as consequências disto, foi uma boa escolha. Foi uma boa opção. Foram bons momentos. Foram horas passadas com o melhor do que há do mundo - os amigos - a aprender, a conviver, a "gargalhar", foram horas de pura diversão.
Primeiro o vermelho. Experimentei o vermelho e... não me dei muito bem. Segui então para o amarelo. Aí sim, ganhei confiança. Mas confiança a mais. Confiança tal, que quando voltei para o vermelho, decidi virá-lo! É verdade. Aquele que ninguém vira, aquele que o mais nabo de todos os nabos nunca viraria... Pronto, enfim. Foi um "triste" momento. Depois veio a segurança e a confiança e, com elas, decidiram pôr-me num dos grandes. Num dos brancos, grandes, mais estreitos e mais instáveis... Aí, afinei! "Ui, ui, que isto vai correr mal!" - disse eu. Mas, por estranho que pareça, correu bem. Pelo menos não virei, nem bati em nada. Continuei a conhecê-lo melhor, e até a trocar alguns pareceres com ele. Ele contou-me algumas das histórias do clube e das que se passaram com ele. Decidimos, então, ir até um dos mais bonitos lugares da cidade. Foi interessante ver aquele lugar de outra perspectiva. Aquele esplêndido lugar numa perspectiva que, na minha opinião, até humaniza demais a paisagem em si. Mas, sem dúvida, que não deixa de ser AQUELE LUGAR!
Têm sido, realmente, umas óptimas manhãs!
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Persistência, Paciência,... Que mais me faltará?
"Dos amores humanos, o menos egoísta, o mais puro e desinteressado é o amor da amizade."
"Todas as riquezas do mundo não valem um bom amigo."
"A amizade verdadeira deve ser uma marcha a dois para as alturas."
"A amizade é semelhante a um bom café: Uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primitivo sabor."
"Não te interesses sobre a quantidade, mas sim sobre a qualidade dos amigos."
"Sem amigos ninguém escolheria viver, mesmo que tivesse todos os outros bens."
"Elege para teu amigo o Homem mais virtuoso que conheces."
á cerca disto mesmo.
Da AMIZADE.
Apenas porque sim!
Apenas porque sinto uma a fugir-me entre os dedos...
terça-feira, 8 de junho de 2010
O fascínio do Destino... (será?)
As voltas que a vida dá...
A vida dá voltas que nem imaginamos possíveis...
Voltas completas...
Quem diria...
Foi assim á exactamente 266 dias. Lembro-me como se fosse hoje... Na aula de filosofia... Na primeira aula de filosofia do 11º ano. Na altura a timidez, a desconfiança e um pouco de receio "escapuliam-se-me" entre os dentes... A turma era diferente, a maioria dos professores era diferente... só a escola é que não era diferente... em obras, mas igual!! No primeiro mês de aulas, o meu colega de mesa irritou-me tanto, mas tanto,... MAS TANTO!!!!! Cheguei ao ponto de, numa aula de Matemática, enquanto o professor escrevia o sumário e o meu colega batia teimosamente com as mãos na mesa e nas pernas e na cadeira, levantar-me, repentinamente, pegar nos meus pertences, percorrer a sala toda até á última carteira da última fila... e sentar-me. FOI A GOTA DE ÁGUA! ao mesmo tempo acho que foi a melhor coisa que fiz (xD) A partir daí... tudo foi diferente. Aquela aberração que se sentava ao meu lado deixou de ser uma aberração... deixou de ser um chato... deixou de ser o melga irritante com a mania que tocava bateria e com quem não se podia falar sobre nada... Aquele jovem, deixou de ser um simples colega... Foi como que um clique! Parece que a partir daí comecei a descobrir a verdadeira definição de amizade. Não uma amizade qualquer... Uma justa, fundamentada e segura amizade! Uma verdadeira amizade... Nada semelhante a nenhuma anteriormente descoberta.
Fui crescendo, o tempo foi passando, as folhas foram caindo e as nuvens... Óhh, as nuvens... as nuvens foram desaparecendo... Era a Natureza a falar mais alto... A definição foi-se tornando cada vez mais nítida...
Passado um ano lectivo inteiro...
Depois de alegrias e tristezas, trabalho e descanso, quente e frio, sois e chuvas...
Hoje somos bons amigos...
Bem, acho que "bons amigos" é um termo muito vasto,... muito pouco expressivo da amizade que vagueia dentro de mim. Quando penso no início desta aventura dá-me vontade de rir: como é que duas criaturas que, aparentemente, nada tinham a ver uma com a outra, poderiam, ao fim de uns meses, ser intérpretes de uma amizade tão unida...
Senão a melhor, foi uma das melhores coisas que me aconteceu nestes últimos anos...
A ti, JORGE, um muito obrigado!!!)
Fico-me por aqui, esperando, um dia, poder ter o privilégio de voltar a partilhar a secretária contigo...
UM GRANDE, GRANDE ABRAÇO!!!
sábado, 5 de junho de 2010
"Uma criança chora, aleijou-se.
Não sabe porquê,
não sabe o que aconteceu,
mas chora!
Chora com toda a sua energia
usurpando todos os seus limites.
Nas suas lágrimas,
escorre a sua inocência!
Nos seus berros,
ecoa a sua pureza!
Com os seus gestos,
procura a sua mãe..."
terça-feira, 1 de junho de 2010
...Desilusão...
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Prémio Literário José Estêvão
Para quem não sabe, o Prémio Literário José Estêvão, é o mais prestigiado prémio das escolas da cidade de Aveiro, pois premia, anualmente, os melhores contos, textos, (etc.), dos melhores escritores do secundário e do básico de todas as escolas da cidade de Aveiro. Este ano, o pedido era que fosse escrito um conto. Assim foi... E foram ontem eleitos os premiados, tendo sido estes os resultados do ensino secundário.
Mais uma vez, PARABÉNS aos dois! :D
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Para (sempre) recordar...
Foi há dois meses... faz hoje dois meses... Palavras tornadas tecidos de veludo que, ao som do silêncio, esvoaçavam pelas nossas mentes a dentro, alegrando os nossos dias e reconfortando as nossas mágoas da nossa, já experiente, adolescência... Essas palavras terminaram mas hoje... hoje decidi relembrá-las... e decidi voltar aos "velhos tempos" e sentar-me á secretária, ao som da noite escura que me evade, a ler "as relíquias"... e então trago-vos um pequeno "cheirinho" daquilo que, por razões ainda um pouco controversas, terminou...
Fica então para recordar...:
Cruzei os braços!
Cruzei-os à sociedade! Esta tão decrépita e desapontante sociedade que, a cada dia que passa, me mete mais e mais nojo! Arrependo-me todos os dias de lhe pertencer e ser incapaz de fazer alguma coisa que a mude.
Tristemente desisti desta porcaria que tanto me afronta... Cruzei os braços! Mas juro-vos que tentei! Tentei enquanto fui capaz de tentar! Tentei até ver que aqueles esforços que fazia não serviam para nada e em nada alteravam o comportamento de quem me lia!
Quantos dias me lamentei por ter parado! Quantos dias pensei em voltar! Quantos dias pensei em juntar-me aos meus camaradas e acabar com esta merda em que vivemos!
Mas não! Não voltei! Não voltei porque não queria ser desacreditado, não queria perder a minha palavra. No entanto, a pedido de um grande amigo, escrevi uma ultima vez! E, sinceramente vos digo, tenho saudades desta Merda!!!!
Voltemos ao tema, já divaguei demasiado...
... Cruzei os braços quando a Sociedade cruzou os seus a mim!
Tudo o que tentava mostrar foi ignorado, aos poucos, por ela. No momento em que ninguém me ouvia, em que ninguém me compreendia... Fugi, peguei nas minhas coisas e deitei-as num caixote, peguei em gasolina e queimei o meu saber por completo... Fiquei olhar para aquelas belas chamas que me contemplavam os olhos ao mesmo tempo que destruíam todo o meu conhecimento... A olhar aquelas belas chamas que, sem saber, me queimavam também por dentro, que corrompiam e corroíam o ser... Aquelas belas chamas... Ai, aquelas belas chamas... Tanto levaram e tão pouco deixaram. Paciência!
Jorge Miguel Leonardo Oliveira
