Por agora,
vou ficar aqui por
casa
a arrumar os meus afazeres...
Boas Vindas! Sofro desta doença: osmose cerebral. trata-se de uma doença do foro psicológico, que consiste na deformação dos neurónios á medida que a sabedoria vai aumentando... para uns nascerem, é necessário que outros morram! Por isso peço-vos que colaborem, deixando, neste blog, alguns neurónios, pois, sendo estes artificiais, são mais fortes que os propriamente ditos, e, inclusive, estes não morrem! AJUDEM ESTA CAUSA!! O Valentim agradece!
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sábado, 17 de setembro de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
Saudades de ser criança
Há dores que, por mais tempo que passe e por mais que tentemos esquecer, persistem. Quando passeio pela casa sinto falta de uma cauda a abanar, de uma mancha negra aqui ou ali, deitada. Um ladrar quando tocam á campainha, ou a euforia de quando chego.
Tenho saudades da minha infância, tenho saudades de ser criança.
Tenho saudades da minha infância, tenho saudades de ser criança.
domingo, 17 de julho de 2011
Home Sweet Home...
As casas vão ficando para trás, nesta viagem de regresso. O sol já vai mais para lá que para cá e cá dentro estamos sujos. E porcos. Poeirentos. Cansados. Mas felizes por poder, finalmente, ter o orgulho de carregar num autoclismo, como disse um dos nossos, e observar tudo a desaparecer, de poder tomar um banhinho, quente, sem mirones à volta, poder dormir uma noite, descansados, sem aranhas nem formigas nem ramos e galhos por baixo das nossas costas. Podemos finalmente comer coisas frescas, sem ter de recorrer às deliciosas ementas de pão com salsicha, atum, ou cogumelos, ou atum, ou salsicha, ou cogumelos, ou atum e cogumelos, ou cogumelos e salsicha, ou pão com pão, ou simplesmente bolachas da alegria. A felicidade de poder beber um gole de água fresca, sem ter de esperar por 45 senhoras e 37 homens que estão á nossa frente para lavar loiça suficiente para um banquete real. Podemos finalmente abrir os olhos e não sentir que todo o PÓ à nossa volta está a entrar-nos pelos olhos. Ficam, para trás, experiências e aprendizagens. Nestes dias, a nossa capacidade de decisão, de responsabilidade e coesão foram postas à prova. E não deixa de ser louvável a facilidade com que as superámos. Foram momentos marcantes, em família!
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Jig
Estou aqui deitado desde que a Paula saiu. Não me mexo. Estou estático a olhar para a porta. De vez em quando, muito lentamente, as minhas pálpebras tocam-se e voltam a abrir. As minhas pernas chatearam-se comigo, já não me obedecem. A minha cabeça já não se levanta, nem sequer para beber água. A Paula, o Paulo e o João passam horas a olhar para mim. Acham que estou cada vez pior. Quando tenho dores, e, então, choro, dão-me uns cilindrozinhos brancos que me aliviam, mas fico muito mole. Diariamente tomo 2 ou 3, dependendo das dores. Já quase não tenho fome nem sede. Não consigo andar para lado nenhum. Estou tão inválido! Para me deslocar tem de ser um dos meus donos a transportar-me. De noite, não consigo dormir. Tento, mas dói-me tanto! Choro. A Paula e o Paulo ficam tristes porque não conseguem dormir também e por me verem assim. Eles já não sabem o que me hão de fazer. Hoje ouvi dizer que acham melhor acabar com o meu sofrimento, mas não conseguem. Afinal, são 18 anos! Eu não os julgo por quererem isto, afinal não querem que eu sofra mais. Eles não sabem como hão de fazer, nem se é a melhor decisão a tomar. O João pegou em mim e levou-me para o carro. Já não saio à rua à bastante tempo. Parámos em frente a um local que tem cães e gatos desenhados no vidro. Ele levou-me até lá e pousou-me numa maca metálica. Estava fria. A Paula, o Paulo e o João conversaram sobre mim com uma senhora de bata. Já não bebo água à dois dias. Já não como à outros tantos. Eles estão muito preocupados. A senhora de bata perguntou-lhes se estava na hora. Eles não conseguiram dizer que sim, mas abanaram a cabeça. A senhora de bata disse-lhes que era o melhor que faziam, porque eu já não como, já não bebo, não me conseguiram dar a medicação, já não tenho forças, nem para me queixar. Então decidiram que era a hora.
Foram 18 anos, não foram 2. Eu tenho perfeita noção que eles não o fariam se não achassem que era o melhor para mim. Agradeço-lhes por acabarem com o meu sofrimento. Ao tomarem esta decisão, só me mostram que gostam mesmo muito de mim. A senhora de bata fez-me um furinho com uma agulha, mas eu nem senti. Introduziu um líquido e eu comecei a adormecer. A minha última imagem foi triste para mim. Os meus donos estavam os 3 a chorar.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
Fraquejar.
quando entrei os meus olhos percorreram toda a gente que estava lá no meio. comecei a entrar no sítio e a aperceber-me que havia ainda mais gente. subi escadas e calquei panos e almofadas e, ainda antes de sentar o rabo, cumprimentei e olhei bem nos olhos e pisquei-os, em simultâneo, como sinal de força, e então sentei-me. observei melhor o meio. deu-me vontade de rir, mas não o fiz. estava feliz e contente. depois de estarmos como a noite é, mas cobertos, com telhado, ouvi vozes e passos. vozes e passos alternados sequencialmente. e observei muitas coisas. os meus olhos pingaram, à medida que ouvia o diálogo, a essência de todo aquele paleio. a força como o era dito era tão intensa e estrondosa que me fez fraquejar. se estivesse de pé, as minhas pernas teriam tremido. sorria ao mesmo tempo e apercebia-me do que sabia e conhecia do diálogo. mas estava tudo tão diferente do que eu tinha imaginado. estava tudo tão... bonito! que fascínio.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
marisas há muitas, seu palerma...
Os olhos dela brilham. São inchados e sempre pintados friamente. Os anos estão-lhe bem marcados na cara. As rugas vincadas contornam-lhe a face em coadjuvância com o negrume capilar que lhe cobre a cabeça. Lisos, escorridos, encaracolados, ondulados... no chão... há de tudo. As suas mãos impressionam-me. 'Arterosiadas'. Nós enormes e palmas encarquilhadas, semelhantes a colheres de sopa que se tentam esticar mas os ossos não deixam, e as peles que as compõem são flácidas e brilhantes, cheias de fendas entre este e aquele pedaço liso, dignas de uns largos anos de experiência. Cruza-as muitas vezes de uma maneira esquisita, atrás das costas. A voz, também rugosa, que possui assemelha-se a uma tuba. Está gasta de tanto paleio.
Mas... não passa de mais uma marisa, como outras...
Mas... não passa de mais uma marisa, como outras...
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terça-feira, 19 de abril de 2011
Factor Possibilidade/Probabilidade
Todos os dias assisto a rostos falhados. Pessoas que passam por mim e que me mostram os seus projectos de vida completamente destronados!
A mais actual cara que por mim passou mostrou-me que nem tudo, na vida, é como nós queremos. Professora. Inaugurou um "Equações e Pontuações" ali a meio da rua. O espaço era frio. Muito frio. Apenas um balcão e uma lâmpada pendurada no tecto, faziam mobília naquela "montra", mas, também, não se tratava de uma loja de decoração. Cada vez que lá passava questionava-me se o "negócio" iria dar resultado, sabendo perfeitamente que não. A senhora, sentada ao balcão, transmitia tristeza entre aqueles caracóis e as bochechas almofadadas.Hoje acompanhei-a com o olhar durante alguns metros e vinha completamente destroçada. A minha cara encheu-se de amargura. O dito "negócio", já fechado há mais de uma semana, pode dizer-se que lhe estragou a vida. Os passos eram suaves e vagarosos, como que cada poisar do pé no chão, era uma tentativa de ganhar força para o próximo passo e assim atingir um destino qualquer.
A incerteza do futuro faz-nos ter dúvidas. Faz-nos pensar se seguir este ou aquele caminho será boa opção. E mesmo que seja, correrá bem? Sairei vencido ou vencedor deste destino? Que ninguém se atreva a vir dizer-me que aquela mulher tinha como projecto de vida um centro de explicações fechado e o subsídio de desemprego ao final do mês.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A íris da palavra
Quando senti o espaço só meu, aproveitei-o da melhor maneira que me lembrei. As suas paredes, o seu chão irregular. A minha voz riu-se logo a seguir a um berro de agonia extrema. Questionei, sem nexo, os demais. Eles repudiaram-me. Eu gostei! Depois veio o riso. Veio a memória por factos que cada um enquadrava na sua experiência de vida. Nas suas memórias. Vi olhos a brilhar. Uns de saudade, outros de mágoa. Também assisti a vários remorsos. Soube bem. Soube mesmo muito bem. Senti-me cumpridor do dever que me foi posto! FUI FELIZ!
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domingo, 3 de abril de 2011
Acção!
"É estranha a dor...
Custa menos do que se pensa,
a partir de certa altura
afasta-se de nós,
deixa de nos pertencer.
O que nos pertence é o vazio,
uma indiferença esvaída."
"Como é difícil construir um sorriso!"
"A vida é um tribunal inesperado."
"- Está gente!"
até já...
Custa menos do que se pensa,
a partir de certa altura
afasta-se de nós,
deixa de nos pertencer.
O que nos pertence é o vazio,
uma indiferença esvaída."
"Como é difícil construir um sorriso!"
"A vida é um tribunal inesperado."
"- Está gente!"
é já esta terça feira que estreia a peça.
estou estranho.
vamos ter a sala tão cheia!!!
que medo.
espero que tudo corra bem.
vou fazer por isso.
se não conseguir, desculpem-me.
estou estranho.
vamos ter a sala tão cheia!!!
que medo.
espero que tudo corra bem.
vou fazer por isso.
se não conseguir, desculpem-me.
até já...
terça-feira, 29 de março de 2011
talvez fosse melhor não pensar...
Em vésperas de ensaio geral...
... com o coração aos saltos,
... e com a a cabeça a ferver.
... e com a a cabeça a ferver.
quinta-feira, 24 de março de 2011
T_LV_Z S_J_ M_LH_R D_SL_G_R
O cenário é frio. Os figurinos foram feitos a condizer com a frieza deste espaço. As luzes aquecem. Não muito, mas ajudam a descongelar todo o gelo que há dentro de nós. Descongela por completo e chega mesmo a aquecer um pouco os tecidos de que somos portadores. A singularidade em alguns momentos assusta-me, noutros conforta-me. De pálpebras cerradas, sinto. Oiço. Apercebo-me de todos os que me rodeiam. Na boca de cena sou confrontado com dezenas de pares de olhos apontados a mim e eu não consigo olhar para todos ao mesmo tempo para tentar perceber cada reacção. Tento desviar o olhar. Tento evadir-me dali. Tento parecer um tolo. Um romântico. Um amante. Um apaixonado... Um bocadinho de cada um. Quando me vejo encostado a um plano paralelo ao tecto, sinto um desvairo. Sinto que não sou eu. Deitado, refugio-me. É aqui que pauso e acalmo o coração. Espero que da próxima vez ele não bata com tanta força. Acaricio a esquizofrenia em pessoa e desejo-a. Sentado, descanso. Preparo-me para o que aí vem. Junto as forças necessárias para ajudar os meus pés. Tentarei não os ferir, mas se tiver de ser, falo-ei sem problema algum. Afinal, estou aqui para representar.
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quarta-feira, 16 de março de 2011
Tentativa 1
Hoje falhei. Falhei. Fiquei perturbado. Falhei sem ser cem por cento notório, mas falhei... Mudou-me completamente. Encarei o que restava do dia com outros olhos. Tentei saltar isso à frente, mas não consegui. Enfraqueceu-me de tal maneira, que me fez vir aqui desabafar. Não percebo o porquê deste enfraquecimento, afinal, tudo não passou de um erro...
quarta-feira, 9 de março de 2011
Hoje os meus olhos olham em frente... Nem para cima, nem para baixo: em frente!
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Curvatura necessária, hoje!
O estado de alma é algo muito instável. Em apenas um segundo podemos alterar o nosso estado de espírito de uma maneira desastrosa. A vivência com o Homem é um dos factores que o faz mudar. Com ou sem amor, com ou sem ódio, a sua interacção faz-nos alterar a olhos vivos aquilo que sentimos por cada um que nos rodeia. Não é necessário nenhum gesto ou palavra... Basta um olhar, um sorriso ou "um desprezo vivo como uma chama" para a alegria ou a tristeza nos invadir. Assim sem ser preciso alguma atitude menos feliz ou uma bastante agradável, somos alterados, interior e exteriormente, por quem nos faz sofrer, cá dentro, pelo bem ou pelo mal.
Com os olhos curvados para baixo, mais uma vez...
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Melancolia, hoje...
Há gestos que demonstram a vontade do ser humano... Simples olhares, tocares envergonhados, raspões suaves, respirações fortes junto ao pescoço, ouvido, cara, ombro, ... todo um leque de provocações que não têm de ser auxiliadas de palavras para fazerem sentido ou comunicarem algo... A palavra é um instrumento muito poderoso, talvez o mais poderoso de todos, por conseguir fazer estragos tão distantes como daqui à Lua, ou daqui ao fundo da rua, mas nem sempre devemos ou conseguimos usar este instrumento, por tão poderoso ser... Para nos expressarmos usamos, muitas vezes, estes gestos de carinho. Hoje tentei usá-los...
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
E tudo o vento levou...
Paredes gélidas, gastas e já com alguns buracos. O chão com marcas de muitos anos de sabedoria, estudo, vivências e experiência. Os degraus das majestosas escadarias gastos, só na ponta, sinal de perseverança e da luta pelo ensino, por um futuro. Corredores largos e altos cheios de conversas passageiras, e de comentários que perpetuam nos seus ouvidos. Janelas velhas, podres, esburacadas e vidros frágeis estalados e re-mal-colados. Salas... O chão de madeira velha, já macia, sem arestas nem farpas, barulhenta e a chiar. Dois degraus - era esta a distância entre nós e aquele que nos formava. Cadeiras riscadas? Não! Cadeiras com memórias... Cadeiras cheias de história, cheias de " quero-me ir embora daqui!" e de "Amo-te, és a miúda da minha vida!!!!". Mensagens de há muito, algumas delas já com décadas... Debaixo das mesas, os infalíveis "apêndices elásticos". Vermelhos, Verdes, Azuis, mal mastigados, triturados,... de tudo um pouco. Os quadros de placas de ardósia áspera; Mesmo muito áspera, como os paralelos da avenida, e o giz, que em contacto com o negrum do quadro, produzia um som único... As casas de banhos, quer dizer, a casa de banho masculina e as duas casas de banho femininas, sempre com uma luz natural, sempre sem luz artificial, com portas de vidro na entrada e portas feias no interior. Um jardim interior com a sua beleza natural, com os seus locais tipicamente ocupados, ora por grupos nas tardes de verão a apanhar sol, ora por duetos tentando matar saudades do dia anterior. Um jardim exterior. Um quarteirão inteiro de jardim. Espécies raras, alcatrão solto e esburacado, uma árvore centenária, um "campo" sem limites, um poli-desportivo á chuva e ao sol, ao calor e ao frio. Seis metros quadrados de areia cheia de ervas a florescerem. Outro campo sem limites. Duas salas oficinais de canto, que delimitavam, na parte frontal, o quarteirão por nós ocupado. Bancos de Madeira. Bancos velhos de madeira com musgo, de ferro enferrujado e parafusos soltos. Bancos sujos, bancos molhados, bancos secos, bancos pretos...
Não eram bancos! Eram propósitos. Eram rotinas e desejos. Eram momentos passados a três, a, simplesmente, observar o que nos rodeava, a falar sobre o acaso, a relaxar depois desta e antes daquela aula. Momentos em que a união fez a força. Momentos para recordar com alegria e emoção! Momentos que nunca esquecerei. Foram mesmo inesquecíveis e difíceis de descrever. Espero que também achem o mesmo...
Foram os bancos que nos juntaram?
Foram eles que nos uniram e que nos agarraram?
Não. Mas ajudaram muito!
E agora? Disto tudo, o que restou... ?
As paredes?
Não.
Os degraus gastos?
Não.
As Cadeiras com memórias?
Não.
As mesas com os apêndices elásticos?
Não.
...
Os Bancos...?
NÃO.
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Lar insípido Lar...
O meu lar só me é agradável quando o sinto meu! Quando não o sinto meu, acho-o sujo, velho, desprezável e completamente desinteressante. São bastantes os dias que acordo e, no primeiro olhar sobre as coisas minhas circundantes, sinto uma raiva e revolta por nada estar como eu quero ou não estar onde quero... Hoje o meu Pai acordou assim. Mudou tudo o que havia para mudar; tudo o que já fora mudado vezes sem conta foi re-novamente mudado. Mas, ao contrário das outras, esta mudança foi bastante marcante. Esta mudança incluiu o meu recanto, sim a porta ao fundo do corredor á esquerda. Essa mesmo! As entranhas do meu recanto foram mexidas, remexidas e modificadas. Nada da minha arrumação está semelhante, nada da minha organização está de pé. Sinto-me perdido, sem saber onde encontrar alguma coisa, sem saber bem onde estou.
Não sinto este lar como meu!
Hoje este lar não me é agradável!
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