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domingo, 17 de julho de 2011

Home Sweet Home...




As casas vão ficando para trás, nesta viagem de regresso. O sol já vai mais para lá que para cá e cá dentro estamos sujos. E porcos. Poeirentos. Cansados. Mas felizes por poder, finalmente, ter o orgulho de carregar num autoclismo, como disse um dos nossos, e observar tudo a desaparecer, de poder tomar um banhinho, quente, sem mirones à volta, poder dormir uma noite, descansados, sem aranhas nem formigas nem ramos e galhos por baixo das nossas costas. Podemos finalmente comer coisas frescas, sem ter de recorrer às deliciosas ementas de pão com salsicha, atum, ou cogumelos, ou atum, ou salsicha, ou cogumelos, ou atum e cogumelos, ou cogumelos e salsicha, ou pão com pão, ou simplesmente bolachas da alegria. A felicidade de poder beber um gole de água fresca, sem ter de esperar por 45 senhoras e 37 homens que estão á nossa frente para lavar loiça suficiente para um banquete real. Podemos finalmente abrir os olhos e não sentir que todo o
PÓ à nossa volta está a entrar-nos pelos olhos. Ficam, para trás, experiências e aprendizagens. Nestes dias, a nossa capacidade de decisão, de responsabilidade e coesão foram postas à prova. E não deixa de ser louvável a facilidade com que as superámos. Foram momentos marcantes, em família!



terça-feira, 12 de julho de 2011



Aqui vamos nós...


sexta-feira, 8 de julho de 2011

SBSR


Eu vou!
E tu?

terça-feira, 7 de junho de 2011

A nossa Ria, aos olhos do nosso Nobel


É um momento solene.
Aí para baixo é a ria de Aveiro

«É um momento solene. Aí para baixo é a ria de Aveiro, quarenta quilómetros de costa, vinte quilómetros para o interior, terra firme e água rodeando, todas as formas que podem ter as ilhas, os istmos, as penínsulas, todas as cores que podem ter o rio e o mar. O viajante fez bem as suas orações: não há vento, a luz é perfeita, as infinitas águas da ria são um imóvel lago. Este é o reino do Vouga, mas não há-de o viajante esquecer as ajudas da arraia-miúda dos rios, ribeiras e ribeirinhos que das vertentes das serras da Freita, de Arestal e do Caramulo avançam para o mar, alguns condescendendo afluir ao Vouga, outros abrindo o seu próprio caminho e encontrando sítio para desaguar na ria por conta própria. Digam-se os nomes de alguns, de norte para sul, acompanhando o leque desta mão de água: Antuã, Ínsua, Caima, Mau, Alfusqueiro, Águeda, Cértima, Levira, Boco, fora os que só têm nome para quem vive à borda deles e os conhece de nascença. Se este tempo fosse de estivais lazeres, estariam as estradas em aflição de trânsito, as praias em ânsia de banhos, e nas águas não faltariam as embarcações de folguedo mecânico ou à vela. Mas este dia, mesmo de tão formoso sol e e tão aberto céu, é de alto Inverno, nem sequer está a Primavera em seus primeiros ares. O viajante, pelo menos assim quer acreditar, é o único habitante da ria, além dos seus naturais, homens e bichos da água e da terra. Por isso (todo o bem há-de ter sua sombra) estão as salinas desertas, os moliceiros encalhados, os mercantéis ausentes. Resta a grande laguna e a sua silenciosa respiração azul. Mas aquilo que o viajante não pode ver, imagina, que também para isso viaja. A ria, hoje, tem um nome que bem lhe quadra: chama-se solidão, fala com o viajante, ininterruptamente fala, conversas de água e limosas algas, peixes que param entre duas águas, sob a reverberação da superfície. O viajante sabe que está a querer exprimir o inexprimível, que nenhumas palavras serão capazes de dizer o que uma gota de água é, quanto menos este corpo vivo que liga a terra e o mar como um enorme coração. O viajante levantou os olhos e viu uma gaivota desgarrada. Ela conhece a ria. Vê-a do alto, risca com as pendentes patas a polida face, mergulha entre o moliço e os peixes. É caçadora, navegante, exploradora. Vive ali, é ao mesmo tempo gaivota e laguna, como laguna é este barco, este homem, este céu, esta profunda comoção que aceita calar-se.»

José Saramago
Viagem a Portugal, 1981

domingo, 5 de junho de 2011



Se não nos deixam SONHAR,
não vos deixaremos DORMIR.



terça-feira, 31 de maio de 2011

Fraquejar.



quando entrei os meus olhos percorreram toda a gente que estava lá no meio. comecei a entrar no sítio e a aperceber-me que havia ainda mais gente. subi escadas e calquei panos e almofadas e, ainda antes de sentar o rabo, cumprimentei e olhei bem nos olhos e pisquei-os, em simultâneo, como sinal de força, e então sentei-me. observei melhor o meio. deu-me vontade de rir, mas não o fiz. estava feliz e contente. depois de estarmos como a noite é, mas cobertos, com telhado, ouvi vozes e passos. vozes e passos alternados sequencialmente. e observei muitas coisas. os meus olhos pingaram, à medida que ouvia o diálogo, a essência de todo aquele paleio. a força como o era dito era tão intensa e estrondosa que me fez fraquejar. se estivesse de pé, as minhas pernas teriam tremido. sorria ao mesmo tempo e apercebia-me do que sabia e conhecia do diálogo. mas estava tudo tão diferente do que eu tinha imaginado. estava tudo tão... bonito! que fascínio.


terça-feira, 19 de abril de 2011

Factor Possibilidade/Probabilidade



Todos os dias assisto a rostos falhados. Pessoas que passam por mim e que me mostram os seus projectos de vida completamente destronados!

A mais actual cara que por mim passou mostrou-me que nem tudo, na vida, é como nós queremos. Professora. Inaugurou um "Equações e Pontuações" ali a meio da rua. O espaço era frio. Muito frio. Apenas um balcão e uma lâmpada pendurada no tecto, faziam mobília naquela "montra", mas, também, não se tratava de uma loja de decoração. Cada vez que lá passava questionava-me se o "negócio" iria dar resultado, sabendo perfeitamente que não. A senhora, sentada ao balcão, transmitia tristeza entre aqueles caracóis e as bochechas almofadadas.Hoje acompanhei-a com o olhar durante alguns metros e vinha completamente destroçada. A minha cara encheu-se de amargura. O dito "negócio", já fechado há mais de uma semana, pode dizer-se que lhe estragou a vida. Os passos eram suaves e vagarosos, como que cada poisar do pé no chão, era uma tentativa de ganhar força para o próximo passo e assim atingir um destino qualquer.
A incerteza do futuro faz-nos ter dúvidas. Faz-nos pensar se seguir este ou aquele caminho será boa opção. E mesmo que seja, correrá bem? Sairei vencido ou vencedor deste destino? Que ninguém se atreva a vir dizer-me que aquela mulher tinha como projecto de vida um centro de explicações fechado e o subsídio de desemprego ao final do mês.



terça-feira, 29 de março de 2011

3ª feira de 'chuva' (2)

Para quem não viu esta magnífica entrevista. Foi feita em Dezembro, e no fim-de-semana passado foi re-passada como forma de homenagear Artur.



quarta-feira, 23 de março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Crítica dos Elogios!



À coisa de duas semanas, nos Coliseus, os Deolinda acabaram os seus concertos com algo, dizem, de interventivo: "Que parva que sou!" Acontece que sinto uma certa indignação pela importância dada a esta "música de intervenção". Tanto assisto a gerações de agora, como a gerações mais antigas louvarem e aplaudirem estarrecida e calorosamente esta música; gerações que parecem ter esquecido as verdadeiras músicas de intervenção. As canções que movimentavam multidões e mudavam opiniões. Melodias intervencionistas que apontavam o dedo, directa ou indirectamente a quem mandava, em tempos de censura e ditadura. Tempos em que eles comiam, eles comiam tudo, eles comiam tudo e não deixavam nada, em que o sonho era uma constante da vida, concreta e definida, como outra coisa qualquer; tempos em que o mundo era composto de mudança tomando sempre novas qualidades. Tempos. Assim, com Artistas como Adriano Correia de Oliveira, Fausto Bordalo Dias, Zeca Afonso, José Mário Branco, Manuel Freire, Paulo de Carvalho, Sérgio Godinho, Brigada Victor Jarra, Quarteto 1111, entre muitos, muitos outros... não compreendo a tamanha importância dada a esta "intervenção", que, sinceramente, não vejo a força, o impacto que possa ter/tem na sociedade de hoje, nos tempos de agora. Talvez se a partir desta mais artistas criem, novamente, uma "Era da intervenção", talvez venha compreender, vagamente, esta quantidade de papel e de elogios desperdiçados. Por agora, ainda não compreendo, não louvo, nem sequer aprecio.

Despeço-me, por hoje.
Talvez volte amanhã.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

1935

Por esta data, há cerca de 75 anos atrás, falecera o poeta maior do séc. XX, quiçá de todos os tempos...
Aquele que uma só faceta não basta para o definir... Além do próprio Poeta, necessitou de mais 4 homens para se dar a conhecer, e custa-me a crer que, mesmo assim, se conheça um terço do que ele foi, na verdade...
Deixou-nos autênticas preciosidades, obras soberbas, poemas melancólicos, estrofes intemporais, enfim, toda uma vastíssima obra á qual não deve deixar ninguém indiferente.

Hoje decidi re-relembrar o Poeta-Mor da Poesia Portuguesa Contemporânea:



FERNANDO ANTÓNIO NOGUEIRA PESSOA



Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.


Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço.

"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus."



(Os meus sentimentos á Ofélia)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

José e Pilar







Estreia Nacional a 18 de Novembro.

sábado, 30 de outubro de 2010

"Gosto de Palavrões" - Miguel Esteves Cardoso



Foi-me dado a conhecer este vídeo que é uma declamação, pelo actor Miguel Guilherme, do texto escrito por Miguel Esteves Cardoso "Gosto de Palavrões".
É uma crítica à forma como nós, portugueses, usamos (devida ou indevidamente) ou palavrões.


NOTA:
Este vídeo contém palavras feias, algumas grosseiras e outras completamente banais!



(Se não conseguir visualizar o vídeo, clique aqui)

Apreciem...


terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Nosso eterno Saramago...









"Viver é a forma mais natural de negar a morte!"









"Sou um mero trabalhador da palavra!"






"É impossível descrever, por palavras, uma imagem. Quer dizer, possível é, mas não vale a pena!"









"As cicatrizes dizem-nos pelo que passámos, mas não ditam o nosso futuro!"



"Talvez um dia volte,
talvez não volte nunca.
Talvez evite voltar,
porque há lembranças
que não vale a pena recordar"







A minha homenagem a JOSÉ SARAMAGO.

sábado, 17 de julho de 2010

Lagos, 2010


"O pôr-do-sol é lindo! O laranja-carmim e o azul-violeta conjugam-se numa simplicidade absolutamente indescritível!"

É assim a maneira que encontrei de sintetizar o resumo do meu primeiro dia de FÉRIAS… propriamente dito.

Comecei-o com um pequeno-almoço memorável e inesquecível… Bem cedinho… Bem recheadinho… Bem acompanhado… Bom! Seguiu-se a viagem. A derradeira viagem. 5 duras, estafantes, enjoativas e escaldantes horas dentro do “nosso” Renault laguna-carrinha azul escuro. As horas pareciam teimar em passar… Até que, finalmente, depois de uma desconfortável e dificultada soneca, ao abrir os olhos, deparo-me com um beco estreito e esburacado e, ao fundo… O MAR! Ia-se aproximando cada vez mais e nós seguíamos pela estradinha que parecia querer levar-nos até ele… Mas não. Ao fundo, de um só chofro, aparece a última propriedade da arriba. Aquela por nós já visitada há já dez anos consecutivos… Aquela que só termina onde começa o mar. BRISAMAR! Assim se chama. E é nela que passarei os meus próximos 15 dias, juntamente com os meus progenitores… e mano canino!


A todos desejo

umas excelentes férias,

repletas de

DESCANSO,

SOL,

PRAIA,

mas claro,

estas duas últimas,

com moderação!


quinta-feira, 24 de junho de 2010

Tenho uma teoria...


Dizem que o mundo vai acabar em 2012, não é assim?
Basicamente a ideia é que os Maias, que tinham um calendário mais preciso, mais complexo e muito mais "científico" que o nosso, previram vários acontecimentos que entretanto se passaram, como a chegada do homem branco a 8 de Novembro de 1519. Este calendário Maia prevê que algo de muito grave se passará no solestício de Inverno, 21 de Dezembro, de 2012. Tão grave será o acontecimento, que o mundo tal como o conhecemos desaparecerá, ou mesmo acabe.

Pois eu tenho duas provas altamente científicas e fundamentadas em factos do dia a dia que provam o contrário.

Passo, então, a apresentar-vos as provas:

1 - Um amigo dos meus pais está a pensar em comprar um carro e decidiu pedir um empréstimo. Foi ao banco e eles concederam-lhe um empréstimo de 10 000€. Ora neste empréstimo está acordado que esse amigo dos meus pais tem de pagar o devido valor durante 25 anos... Ora nós sabemos que os bancos não dão nada a ninguém, portanto, para o amigo dos meus pais conseguir pagar o empréstimo, o mundo não pode acabar!

2- A minha mãe, na 3ª feira passada foi ás compras e resolveu trazer uma lata de ananás em calda. Ao arrumar as compras, deparei-me com a dita lata e, por acaso, olhei para o prazo de validade. Qual não é o meu espanto quando vejo "Consumir de preferência antes de: Junho de 2013"...

Portanto, aos senhores cientistas que pensam que sabem tudo e aos historiadores que pensam que os Maias têm toda a razão, e a todos os outros que estão preocupados, ou não, com o fim do mundo...


NÃO SE PREOCUPEM, QUE O MUNDO NÃO VAI ACABAR...
...pelo menos, para já!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

WoodyMix,... ... com tostas


"De que tamanho pensa que devem ser as pernas de um homem?"


"Queijo Gratinado sobre Tostas"


"... o que é que se passa connosco Mary,
costumava ser tão... divertido!?!"


"Vou-me matar! Tudo me corre mal! "


"Absurdo?! Mas o que é o absurdo?"


"A Liberdade é o caos?"


"Serve uma seven-up?"


"Mas terás de saber, meu rouxinolzinho!"


"É demais! As penas não!"


"Azul...? Que cor horrível para um homem de quarenta anos...!"


"Cicuta!"


"A Morte! Aquilo! A Coisa! Os Jardins felizes de caça!"




Encenação de Teresa Grancho
6ª feira e Sábado
GRETUA
21.45H

sexta-feira, 14 de maio de 2010

1872


Eça de Queirós em 1872.... escreveu no seu livro "As Farpas":

"...Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá ...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par , a Grécia e Portugal".

Reparem bem, a altura em que isto foi escrito... 1872... FOI À 138 ANOS!!! E continua, nos dias de hoje , infelizmente, actual.

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril SEMPRE!!!


E Foi assim que se deu o início a todo o "processo" da revolução.

Dia 24 - 22h55 - A voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa "Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus»". Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.



Dia 25 - 00h20 - nos estúdios da Rádio Renascença, Paulo Coelho,anúncios publicitários. Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o locutor prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após 19 segundos de aguda tensão, Tomás dá uma "sapatada" na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso. A partir deste momento o retorno seria impossível e impensável!



4h26 - O Rádio Clube Português transmite o 1º comunicado do Movimento das Forças Armadas, lido por Joaquim Furtado. Seguem-se o Hino Nacional e marchas militares que se viria a transformar no hino do MFA.
Os portugueses começam a tomar conhecimento de que algo de muito importante se está a desenrolar no País.




Assim decorreram os primeiros passos para a evolução de um país ditatorial calado, cego, surdo e, principalmente, CENSURADO.

Faço também um reparo, para quem achar pertinente, para o vídeo, já anteriormente por mim divulgado, do FMI, o qual pode ser observado AQUI!



P.S: Para quem estiver interessado, e porque acho uma boa fonte de Cultura Musical Portuguesa, partilho, aqui, um site de cantores de intervenção, o qual contém os mais importantes, senão todos.


25 de Abril SEMPRE!!!