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domingo, 5 de junho de 2011



Se não nos deixam SONHAR,
não vos deixaremos DORMIR.



quinta-feira, 19 de maio de 2011



Nem sempre a justiça se faz!





terça-feira, 10 de maio de 2011

BENETTON

Lembram-se destas conhecidas fotografias da Benetton em que as mensagens "Todos diferentes, todos iguais", "Não à discriminação", "Vamos acabar com a pobreza" (entre outras) estavam sempre incluídas ou subentendidas?






Pois bem, à uns dias fui confrontado com uma imagem que, segundo consegui apurar, é mesmo da Benetton, mas que, desculpem a minha ignorância, não consigo encontrar a mensagem subentendida, tendo como base, todas as outras fotografias...



Alguém me pode ajudar?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

marisas há muitas, seu palerma...

Os olhos dela brilham. São inchados e sempre pintados friamente. Os anos estão-lhe bem marcados na cara. As rugas vincadas contornam-lhe a face em coadjuvância com o negrume capilar que lhe cobre a cabeça. Lisos, escorridos, encaracolados, ondulados... no chão... há de tudo. As suas mãos impressionam-me. 'Arterosiadas'. Nós enormes e palmas encarquilhadas, semelhantes a colheres de sopa que se tentam esticar mas os ossos não deixam, e as peles que as compõem são flácidas e brilhantes, cheias de fendas entre este e aquele pedaço liso, dignas de uns largos anos de experiência. Cruza-as muitas vezes de uma maneira esquisita, atrás das costas. A voz, também rugosa, que possui assemelha-se a uma tuba. Está gasta de tanto paleio.
Mas... não passa de mais uma marisa, como outras...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Identidade



Jamais existirá uma pessoa, um ser, indivíduo algum
que possua algo além dos seus próprios pensamentos.
Nem as pessoas, nem os lugares, nem as coisas
podem ser possuídos por muito tempo.
Percorremos um troço do caminho com eles,
mas, mais cedo ou mais tarde, todos teremos
de tomar posse dos nossos verdadeiros
bens - as nossas experiências de vida
e pensamentos - e seguir caminho
por solitários rumos...



Mudemos a nossa maneira de pensar
e o mundo à nossa volta mudará também!


sábado, 5 de junho de 2010



"Uma criança chora, aleijou-se.

Não sabe porquê,
não sabe o que aconteceu,
mas chora!

Chora com toda a sua energia
usurpando todos os seus limites.

Nas suas lágrimas,
escorre a sua inocência!
Nos seus berros,
ecoa a sua pureza!
Com os seus gestos,
procura a sua mãe..."

Augusto Silveirinha



(Hoje decidi postar um poema que me foi apresentado por um amigo, por um grande amigo, aliás... É da sua autoria mas, por agora, pertence apenas ao senhor Augusto Silveirinha. Espero que gostem tanto como eu! *.*)


segunda-feira, 19 de abril de 2010

João, Jacob, Peter e Yosephe...


Hoje revoltei-me!! Hoje revoltei-me mesmo. Como nunca o tinha feito anteriormente. Hoje tomei consciência de que há um mês para esta data, os meus dias não são iguais. São PIORES!!! Muito piores. São dias frios, negros, escanzelados, ricos em amargura e tristeza, em raiva e "solidão". Dias em que me sinto amarrado com uma corda de nylon, que me corta o corpo em tiras tortas. Sinto os meus membros a desfazerem-se. Um por um, simultâneamente, vão-se dividindo em bocados de carne podre, que para mais nenhum fim servirão. As minhas mão... não existem. As minhas mão já não existem! Usaram-nas para alimentar porcos. Os meus dedos gritavam loucamente e imploravam misericórdia. As minhas pernas não passam de meros meios ossos que além de me massacrarem com as tremendas e horripilantes dores, já para nada servem! A minha boca não se abre. Há 30 longos dias que está fechada. Cosida. Os meus lábios desapareceram quase por completo, apenas restam uns escassos fiozinhos que seguram a linha que mos cose. Eu tento falar, mas não me deixam! Eu imploro para que falem para mim, mas ninguém me dá ouvidos! Sou repetidamente ignorado.

Há cerca de um mês eu podia falar. E eu falava. Há cerca de um mês eu podia opinar. E eu opinava. Há cerca de um mês eu e muitos éramos felizes. "Hoje" sentimo-nos impotentes e inúteis!!


Hoje não falo, não opino, não comento, não discuto! Apenas me conformo...

DEIXEM-ME, LARGUEM-ME, PORRA, DEIXEM-ME FALAR. PRECISO DE FALAR. TIREM-ME AS MÃOS DOS OUVIDOS. PRECISO DE OUVIR. DEIXEM-ME. ESTOU FARTO DISTO! DESENTERREM OS VOSSOS DEDOS DOS MEUS OLHOS! QUERO SER NORMAL, SEM QUERER SER IGUAL A VOCÊS! DEIXEM-ME. NÃO TENTEM ILUDIR-ME COM CONVERSINHAS DE CHACHA. CALEM-SE! PAREM! PAREM! PAREM!





Sinto falta dos meus antigos dias. E quero-os de volta. Algo desapareceu. Algo terminou o seu percurso, algo se chateou e decidiu acabar com os meus antigos dias. Dias em que os fins de tarde eram passados a ler, a deslumbrar relíquias de alguém que, por uma uma simples razão (será ela simples??), acabou com os meus antigos dias. Os meus e os de muitos.

Que coisa...! Será que, assim, os problemas se resolveram..? Será que este silêncio ajudou e ajuda em alguma coisa? 


Por favor volta á rotina.





Será pedir muito? 
Tanto talento escondido, para quê?


sábado, 10 de abril de 2010

Um dia, Miguel Torga escreveu...


Aqui, diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.

Me confesso
possesso
das virtudes teologais,
que são três,
e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.

Me confesso
o dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo andanças
do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.

Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
do tal céu que Deus governa;
de ser um monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.

Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!


"Livro de horas"