Hoje revoltei-me!! Hoje revoltei-me mesmo. Como nunca o tinha feito anteriormente. Hoje tomei consciência de que há um mês para esta data, os meus dias não são iguais. São PIORES!!! Muito piores. São dias frios, negros, escanzelados, ricos em amargura e tristeza, em raiva e "solidão". Dias em que me sinto amarrado com uma corda de nylon, que me corta o corpo em tiras tortas. Sinto os meus membros a desfazerem-se. Um por um, simultâneamente, vão-se dividindo em bocados de carne podre, que para mais nenhum fim servirão. As minhas mão... não existem. As minhas mão já não existem! Usaram-nas para alimentar porcos. Os meus dedos gritavam loucamente e imploravam misericórdia. As minhas pernas não passam de meros meios ossos que além de me massacrarem com as tremendas e horripilantes dores, já para nada servem! A minha boca não se abre. Há 30 longos dias que está fechada. Cosida. Os meus lábios desapareceram quase por completo, apenas restam uns escassos fiozinhos que seguram a linha que mos cose. Eu tento falar, mas não me deixam! Eu imploro para que falem para mim, mas ninguém me dá ouvidos! Sou repetidamente ignorado.
Há cerca de um mês eu podia falar. E eu falava. Há cerca de um mês eu podia opinar. E eu opinava. Há cerca de um mês eu e muitos éramos felizes. "Hoje" sentimo-nos impotentes e inúteis!!
Hoje não falo, não opino, não comento, não discuto! Apenas me conformo...
DEIXEM-ME, LARGUEM-ME, PORRA, DEIXEM-ME FALAR. PRECISO DE FALAR. TIREM-ME AS MÃOS DOS OUVIDOS. PRECISO DE OUVIR. DEIXEM-ME. ESTOU FARTO DISTO! DESENTERREM OS VOSSOS DEDOS DOS MEUS OLHOS! QUERO SER NORMAL, SEM QUERER SER IGUAL A VOCÊS! DEIXEM-ME. NÃO TENTEM ILUDIR-ME COM CONVERSINHAS DE CHACHA. CALEM-SE! PAREM! PAREM! PAREM!
Sinto falta dos meus antigos dias. E quero-os de volta. Algo desapareceu. Algo terminou o seu percurso, algo se chateou e decidiu acabar com os meus antigos dias. Dias em que os fins de tarde eram passados a ler, a deslumbrar relíquias de alguém que, por uma uma simples razão (será ela simples??), acabou com os meus antigos dias. Os meus e os de muitos.
Que coisa...! Será que, assim, os problemas se resolveram..? Será que este silêncio ajudou e ajuda em alguma coisa?
Por favor volta á rotina.
Será pedir muito?
Tanto talento escondido, para quê?