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terça-feira, 27 de setembro de 2011



Se dormir é morrer,
não adormecer mata.
Após duas
noites brancas, escrevo com a mesma agilidade de um caracol que caiu num copo de sangria.







Luís Filipe Borges, in Revista Tabu




sábado, 17 de setembro de 2011

Por agora,
vou ficar aqui por
casa
a arrumar os meus afazeres...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011



"Nunca serás tão jovem como hoje."

Ben Harper


domingo, 14 de agosto de 2011

Saudades de ser criança


Há dores que, por mais tempo que passe e por mais que tentemos esquecer, persistem. Quando passeio pela casa sinto falta de uma cauda a abanar, de uma mancha negra aqui ou ali, deitada. Um ladrar quando tocam á campainha, ou a euforia de quando chego.
Tenho saudades da minha infância, tenho saudades de ser criança.


domingo, 17 de julho de 2011

Home Sweet Home...




As casas vão ficando para trás, nesta viagem de regresso. O sol já vai mais para lá que para cá e cá dentro estamos sujos. E porcos. Poeirentos. Cansados. Mas felizes por poder, finalmente, ter o orgulho de carregar num autoclismo, como disse um dos nossos, e observar tudo a desaparecer, de poder tomar um banhinho, quente, sem mirones à volta, poder dormir uma noite, descansados, sem aranhas nem formigas nem ramos e galhos por baixo das nossas costas. Podemos finalmente comer coisas frescas, sem ter de recorrer às deliciosas ementas de pão com salsicha, atum, ou cogumelos, ou atum, ou salsicha, ou cogumelos, ou atum e cogumelos, ou cogumelos e salsicha, ou pão com pão, ou simplesmente bolachas da alegria. A felicidade de poder beber um gole de água fresca, sem ter de esperar por 45 senhoras e 37 homens que estão á nossa frente para lavar loiça suficiente para um banquete real. Podemos finalmente abrir os olhos e não sentir que todo o
PÓ à nossa volta está a entrar-nos pelos olhos. Ficam, para trás, experiências e aprendizagens. Nestes dias, a nossa capacidade de decisão, de responsabilidade e coesão foram postas à prova. E não deixa de ser louvável a facilidade com que as superámos. Foram momentos marcantes, em família!



sexta-feira, 8 de julho de 2011

SBSR


Eu vou!
E tu?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Jig






Estou aqui deitado desde que a Paula saiu. Não me mexo. Estou estático a olhar para a porta. De vez em quando, muito lentamente, as minhas pálpebras tocam-se e voltam a abrir. As minhas pernas chatearam-se comigo, já não me obedecem. A minha cabeça já não se levanta, nem sequer para beber água. A Paula, o Paulo e o João passam horas a olhar para mim. Acham que estou cada vez pior. Quando tenho dores, e, então, choro, dão-me uns cilindrozinhos brancos que me aliviam, mas fico muito mole. Diariamente tomo 2 ou 3, dependendo das dores. Já quase não tenho fome nem sede. Não consigo andar para lado nenhum. Estou tão inválido! Para me deslocar tem de ser um dos meus donos a transportar-me. De noite, não consigo dormir. Tento, mas dói-me tanto! Choro. A Paula e o Paulo ficam tristes porque não conseguem dormir também e por me verem assim. Eles já não sabem o que me hão de fazer. Hoje ouvi dizer que acham melhor acabar com o meu sofrimento, mas não conseguem. Afinal, são 18 anos! Eu não os julgo por quererem isto, afinal não querem que eu sofra mais. Eles não sabem como hão de fazer, nem se é a melhor decisão a tomar. O João pegou em mim e levou-me para o carro. Já não saio à rua à bastante tempo. Parámos em frente a um local que tem cães e gatos desenhados no vidro. Ele levou-me até lá e pousou-me numa maca metálica. Estava fria. A Paula, o Paulo e o João conversaram sobre mim com uma senhora de bata. Já não bebo água à dois dias. Já não como à outros tantos. Eles estão muito preocupados. A senhora de bata perguntou-lhes se estava na hora. Eles não conseguiram dizer que sim, mas abanaram a cabeça. A senhora de bata disse-lhes que era o melhor que faziam, porque eu já não como, já não bebo, não me conseguiram dar a medicação, já não tenho forças, nem para me queixar. Então decidiram que era a hora.

Foram 18 anos, não foram 2. Eu tenho perfeita noção que eles não o fariam se não achassem que era o melhor para mim. Agradeço-lhes por acabarem com o meu sofrimento. Ao tomarem esta decisão, só me mostram que gostam mesmo muito de mim. A senhora de bata fez-me um furinho com uma agulha, mas eu nem senti. Introduziu um líquido e eu comecei a adormecer. A minha última imagem foi triste para mim. Os meus donos estavam os 3 a chorar.







sexta-feira, 24 de junho de 2011

PHILOSOPHARE




Vou, até ali, aprender a filosofar.






terça-feira, 14 de junho de 2011

Até quando estamos destinados a esta vida?


Esta é uma questão que tem sido muito debatida e que tem gerado alguma controvérsia. É muito importante referir que morte assistida NÃO É o mesmo que eutanásia. Deixo. aqui, dois vídeos sobre dois casos de morte assistida. Aconselho ainda a verem os dois documentários na sua íntegra, pois é uma questão que nos faz pensar se valerá ou não chegar a um ponto de dependência tal.

(Alerto ainda as pessoas mais sensíveis que estes vídeos possuem cenas consideradas chocantes)










terça-feira, 7 de junho de 2011

A nossa Ria, aos olhos do nosso Nobel


É um momento solene.
Aí para baixo é a ria de Aveiro

«É um momento solene. Aí para baixo é a ria de Aveiro, quarenta quilómetros de costa, vinte quilómetros para o interior, terra firme e água rodeando, todas as formas que podem ter as ilhas, os istmos, as penínsulas, todas as cores que podem ter o rio e o mar. O viajante fez bem as suas orações: não há vento, a luz é perfeita, as infinitas águas da ria são um imóvel lago. Este é o reino do Vouga, mas não há-de o viajante esquecer as ajudas da arraia-miúda dos rios, ribeiras e ribeirinhos que das vertentes das serras da Freita, de Arestal e do Caramulo avançam para o mar, alguns condescendendo afluir ao Vouga, outros abrindo o seu próprio caminho e encontrando sítio para desaguar na ria por conta própria. Digam-se os nomes de alguns, de norte para sul, acompanhando o leque desta mão de água: Antuã, Ínsua, Caima, Mau, Alfusqueiro, Águeda, Cértima, Levira, Boco, fora os que só têm nome para quem vive à borda deles e os conhece de nascença. Se este tempo fosse de estivais lazeres, estariam as estradas em aflição de trânsito, as praias em ânsia de banhos, e nas águas não faltariam as embarcações de folguedo mecânico ou à vela. Mas este dia, mesmo de tão formoso sol e e tão aberto céu, é de alto Inverno, nem sequer está a Primavera em seus primeiros ares. O viajante, pelo menos assim quer acreditar, é o único habitante da ria, além dos seus naturais, homens e bichos da água e da terra. Por isso (todo o bem há-de ter sua sombra) estão as salinas desertas, os moliceiros encalhados, os mercantéis ausentes. Resta a grande laguna e a sua silenciosa respiração azul. Mas aquilo que o viajante não pode ver, imagina, que também para isso viaja. A ria, hoje, tem um nome que bem lhe quadra: chama-se solidão, fala com o viajante, ininterruptamente fala, conversas de água e limosas algas, peixes que param entre duas águas, sob a reverberação da superfície. O viajante sabe que está a querer exprimir o inexprimível, que nenhumas palavras serão capazes de dizer o que uma gota de água é, quanto menos este corpo vivo que liga a terra e o mar como um enorme coração. O viajante levantou os olhos e viu uma gaivota desgarrada. Ela conhece a ria. Vê-a do alto, risca com as pendentes patas a polida face, mergulha entre o moliço e os peixes. É caçadora, navegante, exploradora. Vive ali, é ao mesmo tempo gaivota e laguna, como laguna é este barco, este homem, este céu, esta profunda comoção que aceita calar-se.»

José Saramago
Viagem a Portugal, 1981

domingo, 5 de junho de 2011



Se não nos deixam SONHAR,
não vos deixaremos DORMIR.



terça-feira, 31 de maio de 2011

Fraquejar.



quando entrei os meus olhos percorreram toda a gente que estava lá no meio. comecei a entrar no sítio e a aperceber-me que havia ainda mais gente. subi escadas e calquei panos e almofadas e, ainda antes de sentar o rabo, cumprimentei e olhei bem nos olhos e pisquei-os, em simultâneo, como sinal de força, e então sentei-me. observei melhor o meio. deu-me vontade de rir, mas não o fiz. estava feliz e contente. depois de estarmos como a noite é, mas cobertos, com telhado, ouvi vozes e passos. vozes e passos alternados sequencialmente. e observei muitas coisas. os meus olhos pingaram, à medida que ouvia o diálogo, a essência de todo aquele paleio. a força como o era dito era tão intensa e estrondosa que me fez fraquejar. se estivesse de pé, as minhas pernas teriam tremido. sorria ao mesmo tempo e apercebia-me do que sabia e conhecia do diálogo. mas estava tudo tão diferente do que eu tinha imaginado. estava tudo tão... bonito! que fascínio.


quinta-feira, 19 de maio de 2011



Nem sempre a justiça se faz!





segunda-feira, 2 de maio de 2011

marisas há muitas, seu palerma...

Os olhos dela brilham. São inchados e sempre pintados friamente. Os anos estão-lhe bem marcados na cara. As rugas vincadas contornam-lhe a face em coadjuvância com o negrume capilar que lhe cobre a cabeça. Lisos, escorridos, encaracolados, ondulados... no chão... há de tudo. As suas mãos impressionam-me. 'Arterosiadas'. Nós enormes e palmas encarquilhadas, semelhantes a colheres de sopa que se tentam esticar mas os ossos não deixam, e as peles que as compõem são flácidas e brilhantes, cheias de fendas entre este e aquele pedaço liso, dignas de uns largos anos de experiência. Cruza-as muitas vezes de uma maneira esquisita, atrás das costas. A voz, também rugosa, que possui assemelha-se a uma tuba. Está gasta de tanto paleio.
Mas... não passa de mais uma marisa, como outras...

domingo, 1 de maio de 2011

A arte de ser feliz


Houve um tempo em que a minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam dos seus dedos
magros e o meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crianças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como que reflectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu
sinto-me completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

terça-feira, 19 de abril de 2011

Factor Possibilidade/Probabilidade



Todos os dias assisto a rostos falhados. Pessoas que passam por mim e que me mostram os seus projectos de vida completamente destronados!

A mais actual cara que por mim passou mostrou-me que nem tudo, na vida, é como nós queremos. Professora. Inaugurou um "Equações e Pontuações" ali a meio da rua. O espaço era frio. Muito frio. Apenas um balcão e uma lâmpada pendurada no tecto, faziam mobília naquela "montra", mas, também, não se tratava de uma loja de decoração. Cada vez que lá passava questionava-me se o "negócio" iria dar resultado, sabendo perfeitamente que não. A senhora, sentada ao balcão, transmitia tristeza entre aqueles caracóis e as bochechas almofadadas.Hoje acompanhei-a com o olhar durante alguns metros e vinha completamente destroçada. A minha cara encheu-se de amargura. O dito "negócio", já fechado há mais de uma semana, pode dizer-se que lhe estragou a vida. Os passos eram suaves e vagarosos, como que cada poisar do pé no chão, era uma tentativa de ganhar força para o próximo passo e assim atingir um destino qualquer.
A incerteza do futuro faz-nos ter dúvidas. Faz-nos pensar se seguir este ou aquele caminho será boa opção. E mesmo que seja, correrá bem? Sairei vencido ou vencedor deste destino? Que ninguém se atreva a vir dizer-me que aquela mulher tinha como projecto de vida um centro de explicações fechado e o subsídio de desemprego ao final do mês.



domingo, 17 de abril de 2011

Տոն, عطلة,Tatil, Hari cuti, ...


(esta fotografia só foi escurecida, na tentativa de preservar as pessoas aqui "captadas", de resto não houve alterações/fotomontagens/modificações ou qualquer outro tipo de trabalho fotográfico em computador)


(sem trabalho fotográfico em computador; exclusivamente fotografada)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A íris da palavra



O meu olhar foi fixo. Tentei aproveitar ao máximo olhar para aquele rosto esbranquiçado que me defrontava na primeira fila e, sem esboçar qualquer sorriso ou sentimento, falava para todos em geral. Tentava explicar o que estava escrito em algumas revistas, jornais e livros... Gesticulava, manobrava, era manobrado. Fiz por impor as minhas ideias e por partilhar as minhas vivências - boas e más - a todos os que se comprometeram a ouvir a minha voz, a voz feminina da vida e também uma mais máscula que a minha.
Quando senti o espaço só meu, aproveitei-o da melhor maneira que me lembrei. As suas paredes, o seu chão irregular. A minha voz riu-se logo a seguir a um berro de agonia extrema. Questionei, sem nexo, os demais. Eles repudiaram-me. Eu gostei! Depois veio o riso. Veio a memória por factos que cada um enquadrava na sua experiência de vida. Nas suas memórias. Vi olhos a brilhar. Uns de saudade, outros de mágoa. Também assisti a vários remorsos. Soube bem. Soube mesmo muito bem. Senti-me cumpridor do dever que me foi posto! FUI FELIZ!

domingo, 3 de abril de 2011

Acção!

"É estranha a dor...
Custa menos do que se pensa,
a partir de certa altura
afasta-se de nós,
deixa de nos pertencer.
O que nos pertence é o vazio,
uma indiferença esvaída."

"Como é difícil construir um sorriso!"

"A vida é um tribunal inesperado."

"- Está gente!"


é já esta terça feira que estreia a peça.
estou estranho.
vamos ter a sala tão cheia!!!
que medo.
espero que tudo corra bem.
vou fazer por isso.
se não conseguir, desculpem-me.

até já...

terça-feira, 29 de março de 2011

talvez fosse melhor não pensar...



Em vésperas de ensaio geral...




... com o coração aos saltos,

... e com a a cabeça a ferver.