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terça-feira, 27 de setembro de 2011



Se dormir é morrer,
não adormecer mata.
Após duas
noites brancas, escrevo com a mesma agilidade de um caracol que caiu num copo de sangria.







Luís Filipe Borges, in Revista Tabu




terça-feira, 31 de maio de 2011

Fraquejar.



quando entrei os meus olhos percorreram toda a gente que estava lá no meio. comecei a entrar no sítio e a aperceber-me que havia ainda mais gente. subi escadas e calquei panos e almofadas e, ainda antes de sentar o rabo, cumprimentei e olhei bem nos olhos e pisquei-os, em simultâneo, como sinal de força, e então sentei-me. observei melhor o meio. deu-me vontade de rir, mas não o fiz. estava feliz e contente. depois de estarmos como a noite é, mas cobertos, com telhado, ouvi vozes e passos. vozes e passos alternados sequencialmente. e observei muitas coisas. os meus olhos pingaram, à medida que ouvia o diálogo, a essência de todo aquele paleio. a força como o era dito era tão intensa e estrondosa que me fez fraquejar. se estivesse de pé, as minhas pernas teriam tremido. sorria ao mesmo tempo e apercebia-me do que sabia e conhecia do diálogo. mas estava tudo tão diferente do que eu tinha imaginado. estava tudo tão... bonito! que fascínio.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

marisas há muitas, seu palerma...

Os olhos dela brilham. São inchados e sempre pintados friamente. Os anos estão-lhe bem marcados na cara. As rugas vincadas contornam-lhe a face em coadjuvância com o negrume capilar que lhe cobre a cabeça. Lisos, escorridos, encaracolados, ondulados... no chão... há de tudo. As suas mãos impressionam-me. 'Arterosiadas'. Nós enormes e palmas encarquilhadas, semelhantes a colheres de sopa que se tentam esticar mas os ossos não deixam, e as peles que as compõem são flácidas e brilhantes, cheias de fendas entre este e aquele pedaço liso, dignas de uns largos anos de experiência. Cruza-as muitas vezes de uma maneira esquisita, atrás das costas. A voz, também rugosa, que possui assemelha-se a uma tuba. Está gasta de tanto paleio.
Mas... não passa de mais uma marisa, como outras...

terça-feira, 26 de abril de 2011

domingo, 17 de abril de 2011

Տոն, عطلة,Tatil, Hari cuti, ...


(esta fotografia só foi escurecida, na tentativa de preservar as pessoas aqui "captadas", de resto não houve alterações/fotomontagens/modificações ou qualquer outro tipo de trabalho fotográfico em computador)


(sem trabalho fotográfico em computador; exclusivamente fotografada)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A íris da palavra



O meu olhar foi fixo. Tentei aproveitar ao máximo olhar para aquele rosto esbranquiçado que me defrontava na primeira fila e, sem esboçar qualquer sorriso ou sentimento, falava para todos em geral. Tentava explicar o que estava escrito em algumas revistas, jornais e livros... Gesticulava, manobrava, era manobrado. Fiz por impor as minhas ideias e por partilhar as minhas vivências - boas e más - a todos os que se comprometeram a ouvir a minha voz, a voz feminina da vida e também uma mais máscula que a minha.
Quando senti o espaço só meu, aproveitei-o da melhor maneira que me lembrei. As suas paredes, o seu chão irregular. A minha voz riu-se logo a seguir a um berro de agonia extrema. Questionei, sem nexo, os demais. Eles repudiaram-me. Eu gostei! Depois veio o riso. Veio a memória por factos que cada um enquadrava na sua experiência de vida. Nas suas memórias. Vi olhos a brilhar. Uns de saudade, outros de mágoa. Também assisti a vários remorsos. Soube bem. Soube mesmo muito bem. Senti-me cumpridor do dever que me foi posto! FUI FELIZ!

segunda-feira, 21 de março de 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Estranhamente solitária...

Cruzo a perna esquerda sobre a direita. Olho pela quarta janela para não sei onde, para não sei o quê. Ingiro uma garrafa de água mineral Luso. Estou sozinha. Chateada com tudo e todos. Olho-os com raiva e nojo, com desprezo e vontade de os bofetear. Não me aguento muito tempo aqui com esta gentinha. Ingiro mais um pouco da minha água mineral Luso com um movimento limpo, rápido e preciso. Cada um que entra ou passa, desvia-me a atenção do que é realmente importante. E eu não gosto! Não sorrio para eles, não lhes falo sequer. Ai de mim. A minha água mineral Luso está quase no fim e continuo a olhar... não a ver. Levanto-me de chofre, dispo o meu sobretudo e corro para a casa de banho. Ao sair, olho-os todos. Um por um. Coitados - penso eu, com sarcasmo. Volto para o meu lugar, visto o sobretudo e bebo a água mineral Luso como se não houvesse mais alguma água mineral Luso no Mundo. Vou pagar. Estou farta de aqui estar. Chateada, arrumo as coisas... Volto-me a sentar. Lá fora a chuva intimida-me... A chuva molha o chão molha as paredes e todos os telhados. Forma poças e algumas correntes, rejuvenesce as plantas e lava as terras. Por outro lado, entristece aquele que passeia e aquele que bebe café na rua; aquele que sai de casa para lado algum. Só. Por ela, o ser humano foge da rua, passa-lhe sem a perceber, sem sequer observar, realmente, a beleza desta chuva. Olhamo-la com desdém e tentamos esquivar-nos dela. Protegêmo-nos dela como se fosse uma doença transmissível ao toque. Se alguém olha para mim questiono-o mentalmente Que foi, nunca viste? Pára de me olhar! O meu olhar é fixo. Fixo um ponto e olho-o durante algum tempo, sem, milimetricamente, desviar o olhar. Dou o último golo da água mineral Luso e atiro o copo de encontro a mesa até quase este partir. Pego na cadeira e desloco-a dois centímetros e meio para a frente. Volto a sentar-me. Troco o cruzamento das pernas. Levanto-me com a carteira e vou até ao balcão. Poiso-a bruscamente. Volto a pagar. Desloco-me para a minha cadeira, sempre a mesma, sempre no mesmo sítio. O café está vazio. Desvio o meu olhar para o seu interior e fixo-o. Até quando?



quinta-feira, 30 de dezembro de 2010


(Porque nem tudo tem de ter um nome,
porque nem tudo tem de ter uma explicação...)


Bom ano!