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Boas Vindas! Sofro desta doença: osmose cerebral. trata-se de uma doença do foro psicológico, que consiste na deformação dos neurónios á medida que a sabedoria vai aumentando... para uns nascerem, é necessário que outros morram! Por isso peço-vos que colaborem, deixando, neste blog, alguns neurónios, pois, sendo estes artificiais, são mais fortes que os propriamente ditos, e, inclusive, estes não morrem! AJUDEM ESTA CAUSA!! O Valentim agradece!
quarta-feira, 27 de junho de 2012
terça-feira, 27 de setembro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
Saudades de ser criança
Há dores que, por mais tempo que passe e por mais que tentemos esquecer, persistem. Quando passeio pela casa sinto falta de uma cauda a abanar, de uma mancha negra aqui ou ali, deitada. Um ladrar quando tocam á campainha, ou a euforia de quando chego.
Tenho saudades da minha infância, tenho saudades de ser criança.
Tenho saudades da minha infância, tenho saudades de ser criança.
domingo, 17 de julho de 2011
Home Sweet Home...
As casas vão ficando para trás, nesta viagem de regresso. O sol já vai mais para lá que para cá e cá dentro estamos sujos. E porcos. Poeirentos. Cansados. Mas felizes por poder, finalmente, ter o orgulho de carregar num autoclismo, como disse um dos nossos, e observar tudo a desaparecer, de poder tomar um banhinho, quente, sem mirones à volta, poder dormir uma noite, descansados, sem aranhas nem formigas nem ramos e galhos por baixo das nossas costas. Podemos finalmente comer coisas frescas, sem ter de recorrer às deliciosas ementas de pão com salsicha, atum, ou cogumelos, ou atum, ou salsicha, ou cogumelos, ou atum e cogumelos, ou cogumelos e salsicha, ou pão com pão, ou simplesmente bolachas da alegria. A felicidade de poder beber um gole de água fresca, sem ter de esperar por 45 senhoras e 37 homens que estão á nossa frente para lavar loiça suficiente para um banquete real. Podemos finalmente abrir os olhos e não sentir que todo o PÓ à nossa volta está a entrar-nos pelos olhos. Ficam, para trás, experiências e aprendizagens. Nestes dias, a nossa capacidade de decisão, de responsabilidade e coesão foram postas à prova. E não deixa de ser louvável a facilidade com que as superámos. Foram momentos marcantes, em família!
sexta-feira, 8 de julho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Jig
Estou aqui deitado desde que a Paula saiu. Não me mexo. Estou estático a olhar para a porta. De vez em quando, muito lentamente, as minhas pálpebras tocam-se e voltam a abrir. As minhas pernas chatearam-se comigo, já não me obedecem. A minha cabeça já não se levanta, nem sequer para beber água. A Paula, o Paulo e o João passam horas a olhar para mim. Acham que estou cada vez pior. Quando tenho dores, e, então, choro, dão-me uns cilindrozinhos brancos que me aliviam, mas fico muito mole. Diariamente tomo 2 ou 3, dependendo das dores. Já quase não tenho fome nem sede. Não consigo andar para lado nenhum. Estou tão inválido! Para me deslocar tem de ser um dos meus donos a transportar-me. De noite, não consigo dormir. Tento, mas dói-me tanto! Choro. A Paula e o Paulo ficam tristes porque não conseguem dormir também e por me verem assim. Eles já não sabem o que me hão de fazer. Hoje ouvi dizer que acham melhor acabar com o meu sofrimento, mas não conseguem. Afinal, são 18 anos! Eu não os julgo por quererem isto, afinal não querem que eu sofra mais. Eles não sabem como hão de fazer, nem se é a melhor decisão a tomar. O João pegou em mim e levou-me para o carro. Já não saio à rua à bastante tempo. Parámos em frente a um local que tem cães e gatos desenhados no vidro. Ele levou-me até lá e pousou-me numa maca metálica. Estava fria. A Paula, o Paulo e o João conversaram sobre mim com uma senhora de bata. Já não bebo água à dois dias. Já não como à outros tantos. Eles estão muito preocupados. A senhora de bata perguntou-lhes se estava na hora. Eles não conseguiram dizer que sim, mas abanaram a cabeça. A senhora de bata disse-lhes que era o melhor que faziam, porque eu já não como, já não bebo, não me conseguiram dar a medicação, já não tenho forças, nem para me queixar. Então decidiram que era a hora.
Foram 18 anos, não foram 2. Eu tenho perfeita noção que eles não o fariam se não achassem que era o melhor para mim. Agradeço-lhes por acabarem com o meu sofrimento. Ao tomarem esta decisão, só me mostram que gostam mesmo muito de mim. A senhora de bata fez-me um furinho com uma agulha, mas eu nem senti. Introduziu um líquido e eu comecei a adormecer. A minha última imagem foi triste para mim. Os meus donos estavam os 3 a chorar.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Eclipse de valores
Um eclipse lunar, nos dias do hoje, o que pode significar?
A escuridão do ser mais vivo de toda a tristeza?
A vitória da pobreza face à riqueza?
A subsistência da fraude em contraponto à justiça?
A bondade a ser engolida pela malvadeza?
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terça-feira, 14 de junho de 2011
Até quando estamos destinados a esta vida?
Esta é uma questão que tem sido muito debatida e que tem gerado alguma controvérsia. É muito importante referir que morte assistida NÃO É o mesmo que eutanásia. Deixo. aqui, dois vídeos sobre dois casos de morte assistida. Aconselho ainda a verem os dois documentários na sua íntegra, pois é uma questão que nos faz pensar se valerá ou não chegar a um ponto de dependência tal.
(Alerto ainda as pessoas mais sensíveis que estes vídeos possuem cenas consideradas chocantes)
terça-feira, 7 de junho de 2011
A nossa Ria, aos olhos do nosso Nobel
É um momento solene.
Aí para baixo é a ria de Aveiro
«É um momento solene. Aí para baixo é a ria de Aveiro, quarenta quilómetros de costa, vinte quilómetros para o interior, terra firme e água rodeando, todas as formas que podem ter as ilhas, os istmos, as penínsulas, todas as cores que podem ter o rio e o mar. O viajante fez bem as suas orações: não há vento, a luz é perfeita, as infinitas águas da ria são um imóvel lago. Este é o reino do Vouga, mas não há-de o viajante esquecer as ajudas da arraia-miúda dos rios, ribeiras e ribeirinhos que das vertentes das serras da Freita, de Arestal e do Caramulo avançam para o mar, alguns condescendendo afluir ao Vouga, outros abrindo o seu próprio caminho e encontrando sítio para desaguar na ria por conta própria. Digam-se os nomes de alguns, de norte para sul, acompanhando o leque desta mão de água: Antuã, Ínsua, Caima, Mau, Alfusqueiro, Águeda, Cértima, Levira, Boco, fora os que só têm nome para quem vive à borda deles e os conhece de nascença. Se este tempo fosse de estivais lazeres, estariam as estradas em aflição de trânsito, as praias em ânsia de banhos, e nas águas não faltariam as embarcações de folguedo mecânico ou à vela. Mas este dia, mesmo de tão formoso sol e e tão aberto céu, é de alto Inverno, nem sequer está a Primavera em seus primeiros ares. O viajante, pelo menos assim quer acreditar, é o único habitante da ria, além dos seus naturais, homens e bichos da água e da terra. Por isso (todo o bem há-de ter sua sombra) estão as salinas desertas, os moliceiros encalhados, os mercantéis ausentes. Resta a grande laguna e a sua silenciosa respiração azul. Mas aquilo que o viajante não pode ver, imagina, que também para isso viaja. A ria, hoje, tem um nome que bem lhe quadra: chama-se solidão, fala com o viajante, ininterruptamente fala, conversas de água e limosas algas, peixes que param entre duas águas, sob a reverberação da superfície. O viajante sabe que está a querer exprimir o inexprimível, que nenhumas palavras serão capazes de dizer o que uma gota de água é, quanto menos este corpo vivo que liga a terra e o mar como um enorme coração. O viajante levantou os olhos e viu uma gaivota desgarrada. Ela conhece a ria. Vê-a do alto, risca com as pendentes patas a polida face, mergulha entre o moliço e os peixes. É caçadora, navegante, exploradora. Vive ali, é ao mesmo tempo gaivota e laguna, como laguna é este barco, este homem, este céu, esta profunda comoção que aceita calar-se.»
José Saramago
Viagem a Portugal, 1981
domingo, 5 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
Fraquejar.
quando entrei os meus olhos percorreram toda a gente que estava lá no meio. comecei a entrar no sítio e a aperceber-me que havia ainda mais gente. subi escadas e calquei panos e almofadas e, ainda antes de sentar o rabo, cumprimentei e olhei bem nos olhos e pisquei-os, em simultâneo, como sinal de força, e então sentei-me. observei melhor o meio. deu-me vontade de rir, mas não o fiz. estava feliz e contente. depois de estarmos como a noite é, mas cobertos, com telhado, ouvi vozes e passos. vozes e passos alternados sequencialmente. e observei muitas coisas. os meus olhos pingaram, à medida que ouvia o diálogo, a essência de todo aquele paleio. a força como o era dito era tão intensa e estrondosa que me fez fraquejar. se estivesse de pé, as minhas pernas teriam tremido. sorria ao mesmo tempo e apercebia-me do que sabia e conhecia do diálogo. mas estava tudo tão diferente do que eu tinha imaginado. estava tudo tão... bonito! que fascínio.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Física Moderna - Teoria da Relatividade

O tempo... O que és tu, ó tempo?
Eu não te vejo, mas tu estás a passar. Eu sei que sim! Não és uma grandeza palpável, nem visível, mas meço-te. Qual a tua velocidade? Será a velocidade da luz? Então mas tu, tempo, tens velocidade? Como é isso possível? Não é a velocidade que é o deslocamento percorrido num certo intervalo de tempo? Mas também, ó tempo, tu não estás estático, ai isso é que não estás! Não sei o que és, mas estou a sentir a tua falta!
Ó tempo, dilata-te!
Eu não te vejo, mas tu estás a passar. Eu sei que sim! Não és uma grandeza palpável, nem visível, mas meço-te. Qual a tua velocidade? Será a velocidade da luz? Então mas tu, tempo, tens velocidade? Como é isso possível? Não é a velocidade que é o deslocamento percorrido num certo intervalo de tempo? Mas também, ó tempo, tu não estás estático, ai isso é que não estás! Não sei o que és, mas estou a sentir a tua falta!
Ó tempo, dilata-te!
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quinta-feira, 19 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
BENETTON
Lembram-se destas conhecidas fotografias da Benetton em que as mensagens "Todos diferentes, todos iguais", "Não à discriminação", "Vamos acabar com a pobreza" (entre outras) estavam sempre incluídas ou subentendidas?




Pois bem, à uns dias fui confrontado com uma imagem que, segundo consegui apurar, é mesmo da Benetton, mas que, desculpem a minha ignorância, não consigo encontrar a mensagem subentendida, tendo como base, todas as outras fotografias...

Alguém me pode ajudar?
segunda-feira, 2 de maio de 2011
marisas há muitas, seu palerma...
Os olhos dela brilham. São inchados e sempre pintados friamente. Os anos estão-lhe bem marcados na cara. As rugas vincadas contornam-lhe a face em coadjuvância com o negrume capilar que lhe cobre a cabeça. Lisos, escorridos, encaracolados, ondulados... no chão... há de tudo. As suas mãos impressionam-me. 'Arterosiadas'. Nós enormes e palmas encarquilhadas, semelhantes a colheres de sopa que se tentam esticar mas os ossos não deixam, e as peles que as compõem são flácidas e brilhantes, cheias de fendas entre este e aquele pedaço liso, dignas de uns largos anos de experiência. Cruza-as muitas vezes de uma maneira esquisita, atrás das costas. A voz, também rugosa, que possui assemelha-se a uma tuba. Está gasta de tanto paleio.
Mas... não passa de mais uma marisa, como outras...
Mas... não passa de mais uma marisa, como outras...
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